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SAMBA DO BOM NO SALGUEIRO

15/09/2008 | Comentários (0) | Música | Por: Altamir Tojal

Alegre e difícil é a vida do sambista. Me refiro ao compositor de samba de enredo. Não basta fazer um bom samba, ou mesmo ótimo. Tem de concorrer na quadra da escola e ser escolhido entre dezenas de outros, às vezes entre outros também bons e ótimos. E se trata de verdadeira campanha eleitoral. Além da qualidade do samba, pesam a interpretação, a divulgação, marketing e até a chamada luta política, nos sentidos melhores e piores do conceito.

Uma mensagem do Aberto Mussa me animou a ir ao ensaio do Salgueiro, nesta temporada de eleição do samba-enredo, que vai de agosto a outubro. Mussa é um dos meus escritores preferidos e faz parte do time de autores de um bonito samba, que concorre à glória de conduzir a escola na avenida no Carnaval de 2009. O enredo é "Tambor", tema inspirado e feliz em sua beleza e simplicidade. Recomendo conferir a interpretação do samba do Mussa:

tambor.doc
salgueiro 2009.wma


Autor do romance O Trono da Rainha Jinga (entre outras obras), Mussa conhece a história da cultura negra no Rio de Janeiro. Vale ler o pequeno texto com reflexões dele sobre as origens do samba, publicado no site Obra em Progresso. Fui testemunha de sua alegria e garra na quadra do Salgueiro neste sábado. Não sei, no momento que escrevo, se o samba ultrapassou mais esta eliminatória. Desejo que sim e que seja o vencedor no dia 11 de outubro.

Jota Canalha

17/07/2008 | Comentários (0) | Música | Por: Altamir Tojal

DESAGRAVO DO POLITICAMENTE INCORRETO

A atmosfera do show é o papo esculhambado de botequim, o alegre espaço de liberdade das nossas esquinas, onde a gozação e a gargalhada são liberadas e é possível garimpar sabedoria na forma mais simples e desempoada.

Vem aí o disco do Jota Canalha e certamente mais alguns shows deste, pode-se dizer, heterônimo de Henrique Cazes. Assisti na segunda, dia 14 de julho, na Casa Laura Alvim. É imperdível. Bom samba, bom humor e uma desassombrada manifestação do politicamente incorreto. Digo desassombrada porque Jota Canalha, ao resgatar e renovar a tradição de crônica e crítica do samba carioca (o que vale também para a marchinha), adota uma atitude estética corajosa nesta era de caretice, picaretagem e patrulhamento politicamente correto.

Além do cavaquinho, da interpretação e do humor inteligente de Henrique Cazes, o show tem a participação dos craques Beto Cazes, na percussão, e Luis Felipe Lima, no violão de sete cordas. Jota Canalha é um "demolidor", como escreveu Cesar Tartaglia em seu blog. Canalha reduz a pó - na novíssima 'Papo de ONG' - a esperteza dos bem patrocinados gigolôs da miséria e dos traficantes das boas causas. A apresentação da clássica e divertidíssima 'Mulher Indigesta', de Noel Rosa, choca e aterroriza o feminismo fundamentalista que se tornou canônico hoje em dia. Aliás, a elegante e abrasiva irreverência de Noel é evocada em todo o show nas composições de Jota, como 'Baranga das Dez', 'Chatos em desfile', 'Malas madrinhas' e 'Lero-lero blá-blá-blá'.

A atmosfera do show é o papo esculhambado de botequim, o alegre espaço de liberdade das nossas esquinas, onde a gozação e a gargalhada são liberadas e é possível garimpar sabedoria na forma mais simples e desempoada. Cazes é um artista na acepção elevada do conceito. Instrumentista, arranjador, compositor e ativista da música de qualidade. É um grande nome do choro e do samba que não teme a diversidade e a renovação, com sofisticada incursão no tango de Piazzolla (Piazzollando com acento brasileiro) e iniciativas como Bach in Brazil e Beatles'n Choro.

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