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Deleuze e Guattari, filosofia prática: direito, política, crítica e clínica

30/07/2012 | Comentários (0) | Filosofia | Por: Altamir Tojal

Boa oportunidade para conhecer e explorar um esforço original e potente de reflexão sobre as transformações na vida contemporânea

Estão abertas as inscrições para o curso “Deleuze e Guattari, filosofia prática: direito, política, crítica e clínica”. É uma iniciativa do Departamento de Direito da PUC – Rio. Será realizado de 20 de agosto a 14 de novembro, segundas e quartas-feiras, 19h às 22h.

Introdução

Uma das noções norteadoras do pensamento de Deleuze e Guattari é a de que uma filosofia política que se preze, hoje, deve estar centrada na análise do capitalismo e de seus desenvolvimentos. O interesse por Marx, por parte dos autores de O anti-Édipo e Mil platôs, é a análise do capitalismo como sistema imanente que se reproduz sempre em escala crescente, incorporando inclusive as forças produtivas que se constituem, originalmente, à sua margem e, no mais das vezes, em resistência a ele.

Se essa análise, contudo, desloca a si mesma em relação ao debate marxista, é porque soube criar novos conceitos para pensar a singularidade da experiência política da Europa pós-68. Entre eles, o conceito de linha de fuga (ao invés de contradição) para explicitar os movimentos constitutivos de cada sociedade para além dos regimes jurídicos e institucionais que visam a uniformização e o regramento da vida social. Além disso, o conceito de classe dá lugar ao de minoria, que não se define pelo número, pois ela pode ser mais numerosa que uma maioria. Esta se apresenta como um modelo que procura se impor como norma, enquanto a minoria é antes um processo que uma adequação ao mesmo (modelo): a minoria é um devir-outro, uma ruptura com o mesmo e uma abertura para o novo como processo de criação.

O debate político que se propõe se define a partir de uma filosofia prática e passa pela produção de sentido, antes que pela decifração do real. Decifrar o real é encontrar o sentido como dado a priori que já comporta em si um esquema de valores estabelecidos que justifica o real tal como ele é, levando a esquivar-se diante da miséria, resignar-se diante do intolerável. O que se propõe é um pensamento que, na apreensão mesma do intolerável, responda enfaticamente através da produção de novos sentidos e valores, numa prática que renuncie a toda política de compromisso com os valores vigentes que resultam na imensa fabricação da miséria humana, material e espiritual.

Em suma, a filosofia de Deleuze e Guattari se apresenta como aliada daqueles que se somam no esforço de pensar, não apenas pela força de seus conceitos, mas também por enfatizar que o pensamento se define enquanto atividade criadora, que não pode ser descolada do mundo que se põe a pensar sem correr o risco de deslizar para ideias gerais pré-concebidas e inócuas. Assim, o pensamento se afirma enquanto prática imanente decorrente das forças da experiência vivida em sua singularidade – pois não há filosofia que não seja filosofia política.

Objetivo

Propor uma série estudos sobre as obras de Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992), que conjugam de modo original e provocativo domínios variados do saber: das matemáticas à economia política, da antropologia à psicanálise, da política ao direito, das artes plásticas e cinema à literatura. Essa é uma das razões da composição plural do corpo docente e da diversidade das abordagens propostas nas ementas. Pretendemos ainda reunir outros pesquisadores e leitores de Deleuze e Guattari para encontros que ocorrerão entre as aulas, sob a forma de mesas de debate sobre temas específicos.

Programa

- As noções de problema, multiplicidade e virtual
- A Forma e suas Aventuras – Morfogênese e Sistemas Complexos
- Deleuze e a psicanálise em dois momentos
- A Filosofia Política de Deleuze/Guattari: as relações com Marx
- Metafísicas Canibais: Descolonialização do pensamento e criação de conceitos
- Direito e política em Deleuze e Guattari

Público Alvo: aberto a interessados de todas as áreas de saber e atividade.
Carga Horária: 75 horas.
Coordenador Acadêmico: Maurício Rocha, Doutor em Filosofia – PUC Rio, 1998. Professor do Departamento de Direito da PUC Rio.
Tutoria: Ericka Marie Itokazu, Doutora em Filosofia – USP, 2008. Pesquisadora da FAPESP.
Local: Unidade Gávea
Período de Aulas: 20/08/2012 a 14/11/2012. Segundas e quartas-feiras, 19h às 22h.
PUC - Rio – Departamento de Direito – Curso livre – Mais informações:
http://www.cce.puc-rio.br/sitecce/website/website.dll/folder?cOferec=6501

O romantismo: ler o mundo, viver o poema

13/07/2012 | Comentários (0) | Filosofia | Por: Altamir Tojal

Este curso é sobre um dos grandes momentos da filosofia e o professor Pedro Duarte é um craque.

É possível interpretar o universo como se fosse um texto e experimentar a arte como se fosse a própria vida. Essa foi a convicção filosófica que guiou os primeiros pensadores românticos no fim do século XVIII, como Schlegel, Novalis e Hölderlin. O objetivo deste curso é apresentar a surpreendente originalidade dessa filosofia, que desafia ainda hoje nossos hábitos tradicionais de conceber a realidade. Professor Pedro Duarte. Casa do Saber Rio. Início: 17 de julho. Terças-feiras, às 20h. 4 aulas. Saiba mais.

COLÓQUIO DELEUZE & GUATTARI – FILOSOFIA PRÁTICA

10/08/2011 | Comentários (0) | Filosofia | Por: Altamir Tojal

Rio de Janeiro – 30 e 31 de agosto e 1 e 2 de setembro de 2011

O tema da filosofia prática é bem atual e o evento pode ser uma bela oportunidade para exercitar o pensamento e refletir sobre a política um pouco além da prática.

Uma das noções norteadoras do pensamento de Deleuze e Guattari é a de que uma filosofia política que se preze, hoje, deve estar centrada na análise do capitalismo e de seus desenvolvimentos. O interesse por Marx, segundo Deleuze, está na análise do capitalismo como sistema imanente que se reproduz sempre em escala crescente, incorporando inclusive as forças produtivas que se constituem, originalmente, à sua margem e, no mais das vezes, em resistência a ele.

O Colóquio Deleuze & Guattari - Filosofia Prática é uma iniciativa de pesquisadores e docentes brasileiros e estrangeiros sobre as obras de Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992) e que dá seqüência ao Colóquio Gilles Deleuze leitor dos modernos, realizado na USP em agosto de 2010.

Este segundo evento pretende examinar os efeitos políticos e práticos decorrentes da experiência de pensamento original e inspiradora dos dois tomos de Capitalismo e Esquizofrenia (Anti-Édipo e Mil Platôs), O que é a filosofia? e das obras de Deleuze sobre o cinema, a literatura e as artes plásticas etc.

As sessões de conversações e apresentações de comunicações acontecerão no Auditório Gilberto Freyre e na Sala Candido Portinari do Palácio Gustavo Capanema. Haverá uma mostra de filmes na Cinemateca do MAM e dois espetáculos de música e performance no Teatro Cacilda Becker.

A programação completa do colóquio será anunciada nos próximos dias.

 

Jornadas Antonio Negri

03/06/2010 | Comentários (0) | Filosofia | Por: Altamir Tojal

7, 8 e 9 DE JUNHO, NA FFLCH - FILOSOFIA / USP


O Grupo de Estudos Espinosanos da USP promove anualmente jornadas dedicadas a um filósofo ou a um tema. Este ano, em colaboração com a Pós-Graduação do Departamento de Direito da PUC-Rio / Núcleo de Estudos Constitucionais, o encontro será dedicado ao filósofo italiano Antonio Negri, um dos principais nomes do debate político-filosófico contemporâneo.

A proposta é discutir as contribuições negrianas, em especial a recente trilogia, escrita com Michael Hardt: Império, Multidão, Commonwealth.

Informações sobre o evento, programação e inscrição:

http://jornadasnegri.blogspot.com/

MOVIMENTOS SOCIAIS E GOVERNOS

23/12/2008 | Comentários (0) | Filosofia | Por: Altamir Tojal

O aparelhamento político debilita os movimentos sociais e empobrece o repertório conceitual da esquerda?

Como inventar novas formas de gerir o comum que não sejam capturadas pelo capital?

Como evitar que a atual crise neoliberal traga de volta o estatismo?

Como ter uma prática e uma agenda que transmitam as virtudes dos movimentos sociais e do estado?

A Oficina de 18 de Dezembro

A relação entre os movimentos sociais e o estado foi uma das questões centrais na Oficina de Debates promovida pela Universidade Nômade no dia 18 de dezembro, no Departamento de Direito da PUC Rio.

Foi um debate horizontal que teve a participação de Antonio Negri, Christian Marazzi, Yann Moulier-Boutang, Oscar Vega, Raul Prada, Cesar Altamira e outros pensadores e professores presentes no Rio de Janeiro para o Fórum Livre do Direito Autoral, realizado de 15 a 17 de dezembro por iniciativa da Escola de Comunicação da UFRJ.

O debate foi coordenado por Giuseppe Cocco, da Universidade Nômade e da UFRJ, e por Francisco Guimaraens, também da Universidade Nômade e da PUC Rio. Participaram cerca de 80 pessoas, durante todo o dia. A pauta original constou de quatro itens:

1) O ciclo político "virtuoso" na América Latina: potencialidades e impasses.
2) A crise "global" do capitalismo global das redes.
3) Movimentos e produção de subjetividade.
4) A procura do "commonwealth'.

Críticas à Carta dos Movimentos

Embora todo o temário original tenha sido abordado nas discussões, com destaque para a questão da financeirização na economia contemporânea - a partir de abordagens propostas por Christian Marazzi - o debate sobre a relação entre movimentos sociais e o estado foi o que teve mais intervenções e mobilizou o maior número de participantes.

Um dos textos de referência do evento foi a Carta dos Movimentos Sociais ao Presidente Lula, apresentada ao governo em novembro. A carta, subscrita por mais de 50 organizações, apresenta propostas ao governo para enfrentar a crise econômica global.

A carta recebeu diversas críticas entre as quais a de que não expressa a multiplicidade dos movimentos. Outro ponto assinalado seria um viés neokeynesiano, que revelaria certa nostalgia da política econômica do governo militar. Também foi questionada a ausência de referências a ações afirmativas, o que seria reflexo de que diversos movimentos estariam se convertendo em aparelhos políticos. Os movimentos estariam se tornando presas fáceis do estado e não estariam consegindo se comunicar e cooperar entre si.

Paulo Henrique Almeida, da UFBA, disse que a tradição da esquerda de ser contra o comércio e os bancos a desarma para o mundo atual, que é baseado em trocas e finanças. Ele assinalou que a carta propõe a eutanásia dos rentistas e do capital financeiro como se nós não fôssemos parte das finanças. Também pede de volta a 'substituição de importações' e outras propostas do repertório da esquerda nacionalista e da direita fascista. Portanto, cabe questionar o que seria uma política de esquerda nesta crise.

Não se governa sem os movimentos

Antonio Negri concluiu uma de suas duas breves intervenções lembrando que hoje não se governa, a não ser como os movimentos.

Os debates destacaram o reconhecimento dos avanços sociais das políticas públicas no Brasil, nos últimos anos, resultantes em grande parte da relação entre os movimentos sociais e os governos.

Mas assinalou-se que esse encontro também diminui os movimentos e o próprio estado, e que caberia rediscutir o que é movimento social hoje.

Isso suscitou controvérsia. De um lado, considera-se que não cabe aos intelectuais definir o que é movimento e como devem atuar os movimentos. Isso seria uma tentativa de captura.

Outra corrente entende que professores e intelectuais em geral fazem parte do 'proletariado cognitivo'. A hierarquização e a fragmentação promovidas pelo capitalismo cognitivo passa pelo domínio do tempo desses trabalhadores que, portanto, necessitam e devem discutir o tema, partindo de suas próprias questões.

Giuseppe Cocco concordou que há problemas na relação entre os movimentos e o estado, mas destacou que há uma prática rica e potencialidades positivas. A dificuldade da relação estaria na questão maior da crise da representação. Além disso, o debate da questão deveria considerar o vazio provocado pelo enfraquecimento dos movimentos sociais organizados.

Francisco de Guimaraens ponderou que é preciso discutir a relação dos movimentos com o estado com o cuidado de não jogar fora a água da bacia com a criança junto. Esse debate não deveria ser seqüestrado pela direita nem pela esquerda estatista. Disse que é preciso discutir quanto e quando o estado é comum.

O público e o comum

Vale observar que o debate considerou uma base conceitual que diferencia três ordens de domínios: o privado, o público e o comum, o que repercute em noções relacionadas à propriedade e ao direito. O conceito de comum tem sido discutido a partir de trabalhos de Negri e Michael Hardt, entre outros autores, e diferencia-se da idéia de domínio público. Uma aproximação com o tema pode ser feita na leitura da conferência de Negri no II Seminário Internacional sobre Capitalismo Cognitivo, realizada no Rio de Janeiro em outubro de 2005, bem como em livros como Império e Multidão.

Também cabe assinalar que a problematização do papel do estado tem amplo destaque na crítica marxista muito antes dos ataques do neoliberalismo.

Produção de subjetividade

Outro aspecto da crise comentado no debate relaciona-se à produção de subjetividade. Na crise anterior, dos anos 70 e 80, vivíamos sob ditadura e o país enfrentava uma crise fiscal. Isso contribuiu para formar uma subjetivação que legitimou as políticas neoliberais e a idéia do estado mínimo. Cabe indagar, portanto, que processos de subjetivação estão ocorrendo agora, nesta crise?

A conta da crise

Também foi ressaltado que a crise não é simplesmente uma questão técnica. É preciso atenção aos seus efeitos sobre a dinâmica dos movimentos, principalmente a pressão para reduzir os orçamentos das políticas sociais. Negri e outros participantes comentaram o crescimento dos atuais movimentos globais que questionam e protestam contra o pagamento pelos mais pobres dos custos da crise econômica.

Patrocínio e aparelhamento

Concluo este registro sobre a 'Oficina de 18 de Dezembro' com uma especulação e uma indagação:

Hoje, como assinala Negri, não se governa sem os movimentos sociais. Há uma circulação política potente na relação entre os movimentos e o governo, produzindo políticas públicas de interesse da sociedade. Mas essa relação também é de patrocínio em diversos casos no Brasil. Se isso propicia suporte material também limita a autonomia e a liberdade dos movimentos e favorece vícios próprios do público e do privado. Cabe discutir, portanto, como essa relação de patrocínio afeta os movimentos e o próprio governo. Será que a debilidade de alguns movimentos sociais e mesmo o empobrecimento do repertório conceitual da esquerda não decorre do vício do aparelhamento político, entendido como promiscuidade na relação entre movimentos e governo?

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