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A VIDA DURA DE DILMA E O PARTIDO DOS ESTRESSADOS

03/11/2014 | Comentários (0) | Eleição 2014 | Por: Altamir Tojal

Convencidos de que têm o monopólio da bondade, alguns petistas só vão relaxar se puderem dar um tiro na nuca do último adversário.

Os dias seguintes à reeleição de Dilma estão sendo difíceis para o governo e tudo indica que isso vai piorar, deixando os petistas cada vez mais estressados. O aceno ao diálogo, no discurso da vitória, não convence. A presidente anunciou mais do mesmo e priorizou o projeto de reforma política que o partido quer para seguir no poder para sempre. Mesmo suada, a vitória parece ter embriagado a cúpula do partido e atiçado a tropa de choque, que seguiu com as provocações, deboches e agressões ao candidato derrotado e a seus eleitores, como se a campanha eleitoral não tivesse terminado.

A Câmara de Deputados não esperou a poeira assentar e rejeitou o decreto de criação dos chamados conselhos populares, projeto estratégico para controlar o que resta de autonomia na administração pública e para anular qualquer possibilidade de atuação independente do Congresso Nacional. Logo em seguida, Dilma teve de recuar (pela segunda vez) da ideia de um plebiscito para impor a sua reforma política. E o escândalo do “Petrolão Lava a Jato” envolveu mais personagens do governo, do partido e aliados.

SUCESSAO DE DESGOSTOS

Na economia, o Banco Central teve de aumentar os juros já estratosféricos, uma medida que a candidata Dilma atribuía ao repertório de maldades da oposição. Para piorar, o governo teve de divulgar o rombo recorde de R$ 25 bilhões nas contas públicas e vai ter de pedir ao Congresso para mudar a Lei Orçamentária para se salvar do descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. A única vitória do PT na semana foi impedir a votação do processo de cassação do deputado André Vargas na Comissão de Constituição e Justiça. Vargas é aquele amigo do Youssef que abriu as portas do Ministério da Saúde para o laboratório da organização criminosa que colabora com o tesoureiro do partido.

A sucessão de desgostos talvez explique o mau humor dos petistas mesmo depois de vencer a eleição. Muitos estavam assustados no domingo 26 de outubro de 2014. Talvez a maioria. Aécio estava perto de Dilma, podia virar o jogo e ganhar a eleição. Era para a proclamação da vitória de Dilma ter desestressado esse pessoal.

CANDIDATOS A BODE

Mas parece que fica cada vez mais difícil sustentar o discurso de que o PT tem o monopólio da bondade e que não importam a incompetência, a mentira, a roubalheira e a desconstrução da democracia. E tem a ala da intolerância, cuja ferocidade aumenta a cada iniciativa e a cada pronunciamento da oposição, esbravejando acusações de golpismo e atacando a imprensa crítica. Esse pessoal só vai relaxar se puder dar um tiro na nuca do último adversário.

Tudo indica que a temporada de notícias ruins está apenas começando para o PT e o humor petista vai ficar ainda mais azedo. Será que vão ter fôlego para manter o clima de guerra da campanha eleitoral por muito tempo? Ou vão baixar as armas? Comenta-se que entregarão de vez a política econômica aos banqueiros. E vão ter de dar uma fatia maior do bolo do poder ao PMDB e outros partidos da base alugada. A conferir. Cabe lembrar que nessa troca de interesses está em jogo o controle total do poder judiciário, da imprensa e do sistema eleitoral. E os parceiros de hoje são candidatos a bodes expiatórios amanhã. Isso num organismo que depende da corrupção para respirar.

CONTA CARA

Nas democracias, a vitória na eleição dá legitimidade, mas não necessariamente sustentação política a quem vence. Pessoas que votam por interesse, medo e enganadas pela propaganda não são do tipo que dão sustentação a governos, a não ser por mais interesse, mais medo e mais mentira. E essa gente também começa a ficar desconfiada e apreensiva com a distância entre a propaganda e o gesto. O que será que o PT vai fazer com o preço da gasolina e as tarifas de energia? E com os investimentos em infraestrutura e mobilidade? Como vai destravar a indústria? Quando a saúde pública vai funcionar?

A metade do Brasil que foi dormir triste no domingo 26 de outubro de 2014 acordou na segunda com disposição para dobrar a aposta na democracia e no Brasil. Iniciativas de ação política estão acontecendo por todo o país, algumas talvez com açodamento e confusão, mas a maioria lúcidas e amadurecidas pela dureza da campanha eleitoral. Os 51 milhões de brasileiros que votaram em Aécio constituem uma multidão heterogênea, motivada por insatisfação e indignação, sem muita identidade política. Mas é inegável que o campo da resistência ao PT aumentou e diversificou. A derrota trouxe também vitórias importantes para a oposição, cuja responsabilidade aumentou. A conta da vitória ficou cara para o PT e parece que a vida vai continuar dura para a presidente por algum tempo.
 

O PT RESSUSCITOU A DIREITA NO BRASIL

17/10/2014 | Comentários (0) | Eleição 2014 | Por: Altamir Tojal

O petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor.

Tem sido recorrente nesta campanha eleitoral o apelo de partidários do PT à indulgência à corrupção no governo em nome de programas sociais e o repúdio às críticas à presidente Dilma em nome de seu passado na resistência à ditadura.

Talvez algumas pessoas se surpreendam ao saber que participei da luta contra a ditadura, fui preso e torturado no DOI-CODI. Procuro ser discreto em relação a isso, embora não me envergonhe nem me arrependa de minhas posições e ações políticas.

O fato de ter sido preso, torturado, vigiado e perseguido na ditadura não me torna melhor que ninguém nem me dá nenhuma autoridade.

Mas essa experiência me ensinou que não se deve tratar adversários políticos como inimigos nem usar técnicas goebbelslianas contra opositores, repetindo milhões de vezes mentiras com o propósito de transformá-las em verdades.

Pela mesma razão, considero vergonhoso o uso de slogans e discursos de justiça social para justificar o assalto ao estado e ao povo, das bilionárias transações na Petrobras aos desvios de dinheiro da merenda das crianças e do remédio dos hospitais.

Seja qual for o resultado desta eleição, a indigência argumentativa do petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. É o resultado da divisão da sociedade em “nós e eles”, da desmoralização da política, da mercenarização da militância, da domesticação do movimento social, da transformação da corrupção em política de governo, da demonização dos adversários e desse projeto de "Reich de mil anos", entre tantas outras perversões e contrafações.

Ainda vai ser feito um inventário do estrago que estes 12 anos de PT causou à democracia brasileira. Consertar isso vai ser uma tarefa para gerações. E ainda não conseguimos superar a herança da ditadura.

Muitos petistas se aborreceram com isso e deixaram o partido, a exemplo de Marina Silva, Heloisa Helena, Fernando Gabeira, Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Francisco Oliveira e Vladimir Palmeira.

Os petistas remanescentes estão em companhia de Fernando Collor, José Sarney, Garotinho, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Katia Abreu, Eike Batista e Fernando Cavendish.

Mesmo assim se consideram de esquerda e chamam os opositores de direitistas. Se refletissem um pouco, perceberiam que o PT perverteu a esquerda e ressuscitou a direita no Brasil.
 

PARA QUEM CONSIDERA AÉCIO O MELHOR CANDIDATO A PRESIDENTE

22/09/2014 | Comentários (0) | Eleição 2014 | Por: Altamir Tojal

Faça campanha agora para não lamentar depois. Consiga mais um voto e corra atrás de outro.

Estamos vivendo os últimos momentos de possibilidade de virada na campanha eleitoral de 2014 e não dá para esperar milagres.

Quem considera Aécio Neves o melhor candidato deve fazer a sua parte agora para não lamentar depois. Vote, faça campanha, consiga mais um voto e corra atrás de outro.

Esta ação é crucial neste momento em que a campanha do Aécio está fazendo um esforço definitivo para chegar ao segundo turno. Depois pode ser tarde demais.

Aécio representa a oposição consistente ao PT e uma expectativa verdadeira de recuperar o caminho da democracia e do desenvolvimento no Brasil. É a possibilidade de resgatar o estado brasileiro para a população e de conduzir programas sociais como direitos da cidadania e não como donativos eleitoreiros.

Se Aécio não for para o segundo turno, iremos às urnas para votar em Marina com o coração apertado. Não sabemos se a conversão de Marina à democracia é sincera e suspeitamos que ela terá grande dificuldade de conduzir o governo com a firmeza e a competência necessárias para vencer as dificuldades que estão no horizonte.

O apoio e o voto em Aécio, ao contrário, correspondem aos nossos princípios políticos. Se ele chegar ao segundo turno, seguiremos na campanha e iremos votar com segurança e esperança verdadeiras, sem dúvidas de que estamos fazendo a coisa certa, fortalecidos, portanto, para enfrentar todo o poder e a falta de escrúpulos do PT e suas milícias.

Meu voto é em Aécio Neves, o melhor candidato à Presidência da República.
 

COPA DO MUNDO E COPA DA ELEIÇÃO

19/05/2014 | Comentários (0) | Eleição 2014 | Por: Altamir Tojal

O aumento do desejo de mudança nas pesquisas eleitorais e a distância que a multidão mantém das manifestações violentas contra a Copa do Mundo reforçam a esperança de que o brasileiro compreendeu que a disputa a vera na política é a Copa da Eleição.

O grande protesto dos brasileiros neste ano será nas urnas em outubro. É isso que prenuncia o movimento das peças no tabuleiro da política.

Apesar da desilusão com os políticos, a sociedade está mais ligada na política. O tema está na boca do povo a toda hora e em todo lugar. O brasileiro tinha esquecido a política. Não se lembrava nem na hora de votar. Passou anos assim. Mas isso mudou de junho para cá.

A população dá sinais de que está perdendo a paciência com o governo. Isso vem sendo confirmado nas pesquisas eleitorais com o crescimento da intenção de voto nos candidatos de oposição e do indicativo do desejo de mudança.

Ao mesmo tempo, a fraca adesão às manifestações de rua contra a Copa – que supostamente amalgamariam o inconformismo na sociedade – pode indicar que a população suspeita da malversação política, nessa campanha, de suas demandas por melhores serviços públicos, por uma justiça mais republicana, pelo combate à corrupção e por uma governança mais capaz de atender suas aspirações.

O rio que passa nunca é o mesmo. O velho Heráclito sabia das coisas há 2500 anos. E o rio que passou em junho de 2013 na política brasileira é bem diferente do que passa agora. A multidão que foi para as ruas nas “jornadas de junho” é incomparável em escala e em essência aos movimentos que estão nas ruas hoje.

Nos atos de 15 de maio – convocados como “Dia Internacional de Lutas contra a Copa” – o número de manifestantes parece ter sido menor que o número de organizações que os convocaram. O barulho maior foi da greve dos policiais militares em Recife e os protestos que reuniram mais pessoas foram de movimentos reivindicatórios que tentam potencializar sua repercussão na onda de visibilidade do campeonato mundial de futebol. É evidente que organizações políticas bem articuladas tentam misturar tudo no mesmo balaio e a cobertura da imprensa quase sempre corrobora essa confusão.

Os milhões de brasileiros que foram às ruas em junho continuam indignados com os gastos bilionários com a Copa, os serviços públicos ruins e a infraestrutura deplorável. E estão estarrecidos com os escândalos de corrupção e assustados com as ameaças na economia.

Mas essa multidão não entrou em campo até agora. Vai entrar durante a Copa? É difícil arriscar um prognóstico.

A gritaria de militantes, o quebra-quebra dos mascarados e as interrupções de avenidas e estradas com barricadas e a fumaça de pneus queimados produzem um efeito espetacular que acaba tendo destaque no noticiário. Estamos, afinal, na era da imagem e da informação fugaz.

Além das manchetes, do medo dos turistas e da irritação da população com engarrafamentos e depredações, a campanha contra a Copa do Mundo rendeu até agora desgastes aos governos de alguns estados e municípios e, principalmente, ao governo federal.

Destaca-se nesse processo o enfrentamento do Partido dos Trabalhadores e seu governo com a oposição mais a esquerda, notadamente o PSOL, com disputas nos sindicatos, na representação política e pelo controle das manifestações de rua. E pelo eleitor, é claro.

O PT está pagando a fatura política da domesticação dos movimentos sociais e da transformação da militância em milícia. Ao aparelhar o estado e suas empresas com sindicalistas e lideranças dos movimentos, o partido amplificou promessas e expectativas, muitas das quais não foram cumpridas e atendidas. Pior: os movimentos foram submetidos e aprisionados ao governo e ao estado. Hoje, a simbiose PT-Movimentos se decompõe numa guerra para permanecer no poder, preservar cargos, empregos e privilégios, e escamotear o fracasso desse modelo.

Na rua, o PT não se arrisca a aparecer. Nos jogos da Copa, a presidente Dilma não deverá dar as caras. Nos sindicatos, o enfraquecimento da hegemonia do partido tem sido evidente desde as greves e as revoltas na Usina de Jirau e em outras grandes obras no Norte do país, em 2011 e 2012. Há vestígios dessa fraqueza mesmo em movimentos autônomos como as recentes greves dos garis e dos rodoviários no Rio de Janeiro. O ápice simbólico disso foi a comemoração do Dia do Trabalhador pela CUT, quando representantes do partido foram vaiados e impedidos de falar.

A multidão assiste este embate sem torcer por um lado nem por outro, como quem vê uma briga de vizinhos e não quer se meter na confusão. O coração do povo não é arrebatado nem pela propaganda do governo nem pela escalada de violência nos protestos. Em junho de 2013, a truculência policial empurrou a multidão para a rua. De lá para cá, a truculência de blackblocs e outros mascarados expulsou o povo das manifestações.

O aumento do desejo de mudança nas pesquisas eleitorais e a distância que a multidão mantém das manifestações violentas contra a Copa do Mundo reforçam a esperança de que o brasileiro compreendeu que a disputa a vera na política é a Copa da Eleição.

Uma raposa do PT toma conta do galinheiro no TSE

15/05/2014 | Comentários (0) | Eleição 2014 | Por: Altamir Tojal

Vai ser duro para a oposição disputar a Copa da Eleição

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano é Dias Toffoli, ex-advogado das campanhas de Lula de 2002 e 2006. Ele tomou posse nesta terça-feira, dia 13. Vai ser duro para a oposição disputar a final da Copa da Eleição com Toffoli de juiz. É uma raposa do PT tomando conta do galinheiro no TSE.


 

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