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TODO TEMPO É TEMPO DE POESIA

01/06/2014 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

A brutalidade e a estupidez são o eterno depois.

Preparei com muito gosto esta apresentação do livro “Frações”, do poeta e jornalista Luiz Cláudio Dias Reis. O bonito livro acaba de ser lançado pela Editora Frutos.

Todo tempo é tempo de poesia, mesmo este nosso agora, de tanta falta de tempo e excesso de caretice, de rendição geral à correria, ao consumo frenético e à tirania do lucro.

É o oposto da poesia? Talvez. O poeta teria então, hoje, o destino de um bicho em extinção, sem território, inapto, expulso do mundo. Certo?

Errado! Não é nada disso que se vê. Ou melhor, não é nada disso que pode ler e ouvir quem tem bons olhos para ler, ouvidos para ouvir, voz para cantar e coração para bater.

Os poetas se multiplicam, escrevem mais, enchem, abarrotam gavetas e hds, transbordam nas redes e na nuvem global de bits e bytes. E publicam também no velho e bom papel. Perseveram, teimam. E vão dando razão a Michel Foucault: a resistência sempre precede o poder, a liberdade vem antes de controle. A brutalidade e a estupidez são o eterno depois: nunca calaram nem irão calar a poesia, que inventa, cria e renova a vida sem parar.

O que Luiz Cláudio Reis faz é isso. É a coisa certa. Desafoga no oceano da informação prolixa e do compromisso banal. E inventa tempo, descobre inspiração para fazer poemas densos e belos. E agora sai da gaveta. ‘Metalinguagem’, o poema que escolheu para abrir este livro, diz logo de cara: “Desengaveto palavras. Liberto-as para significados”.

Não é por acaso que o mandamento ‘Poeta, Saia da Gaveta’ seja o nome divertido de um dos muitos saraus que se espalham hoje no Rio de Janeiro. Acontecem todas as noites e dias, na intimidade de uma sala, na livraria, no bar, no vai-e-vem do Calçadão de Copacabana debaixo da lua e no embalo das ondas que quebram, na praça do Leblon entre roncos e buzinas, no restaurante do Méier com o ruído dos talhares.

Sair da gaveta é imperativo da poesia, da literatura. Na gaveta, a poesia não é tudo que pode. O termo, a realização da poesia é mesmo ser lida, vista, falada, soprada, ouvida, saboreada, engolida, esfregada, gozada. “Palavras almejam as entranhas”, avisa em “Infinitivo”, o poeta Luiz Cláudio, docemente subjugado pela desordem onipotente do verbo.

Fazer e fruir poesia é fazer bom uso do tempo, isto é, da vida. Desfrute, então, com gosto cada uma das 55 frações que Luiz Carlos Reis nos entrega neste livro.

Altamir Tojal

 

COLETÂNEA VEREDAS, UM PANORAMA DO CONTO CONTEMPORÂNEO BRASILEIRO

05/11/2013 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

Diferentes narrativas em pequenas porções

A coletânea “Veredas – Panorama do conto contemporâneo brasileiro” publica dois minicontos meus: “Díptico Lado Um” e “Díptico Lado Dois”. São narrativas que guardam certa simetria e se complementam, a meu ver. O tema em comum é, talvez, o erotismo intermediado pela tecnologia da conectividade e interatividade. Trata-se de uma coletânea de microcontos, minicontos e contos pequenos, publicada pela editora Oito e Meio.

O lançamento do livro será no dia 14/11, quinta-feira, 19h, no Espaço Oito e Meio, na travessa dos Tamoios, 32-C, Flamengo, RJ. A proposta da coletânea é apresentar estratégias narrativas em que escritores empenham-se por um caminho novo para a sua ficção. Autores: Altamir Tojal, Anderson Fonseca, Antônio Dutra, Daniel Russell Ribas, Felipi Fernandes, Fernando Fiorese, Francisco Slade, Geraldo Lima, Leandro Jardim, Leonardo Villa-Forte, Márcia Barbieri, Mariel Reis, Nilto Maciel, Pedro Salgueiro, Ronaldo Cagiano, Tony Monti, Victor Paes e Whisner Fraga.

No texto “Contistas do Novo Século”, que apresenta a coletânea, o professor Rinaldo Fernandes, diz: “O conto, sabemos, é múltiplo, apresenta variações. Os autores aqui aderem às várias possibilidades do gênero. Há os contos mais longos (não ultrapassando três/quatro páginas), os mini e os microcontos. Nestes últimos, especialmente, há escritores nesta coletânea com um desempenho formidável. Mas os relatos mais longos também têm força, não deixando de dialogar com a grande tradição do conto brasileiro. No geral, atenuaram-se os experimentalismos, as aventuras da linguagem (típicas do conto brasileiro dos anos 70). A língua falada na rua (e ouvida no rádio e na TV, ou escrita no e-mail) é a que predomina nos relatos aqui reunidos.” Rinaldo Fernandes é escritor, doutor em Teoria e História Literária e professor de literatura.

Mais informações: https://www.facebook.com/veredaspanoramadoconto

Bate-papo com Sidney Rezende e Altamir Tojal no Sindicato dos Jornalistas

08/08/2012 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

O tema é Jornalistas Escritores. Nesta terça, dia 14/8, às 19h. Será mediado por Terezinha Santos, diretora do Sindicato e presidente do Clube de Comunicação.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), em conjunto com o Clube de Comunicação, promovem o “Na Pauta: Encontro com Jornalistas Escritores”, uma reunião com coleguinhas de imprensa que investem na atividade literária. O primeiro encontro terá a participação de Altamir Tojal, jornalista, diretor da SPS Comunicação e autor de dois livros, e Sidney Rezende, jornalista e apresentador da GloboNews, também com dois livros publicados.

O evento vai contar com um bate-papo entre os dois jornalistas e os presentes, e será mediado por Terezinha Santos, Diretora do SJPMRJ e Presidente do Clube de Comunicação. Logo após, ocorre a noite de autógrafos. O primeiro encontro acontece no próximo dia 14 de agosto, às 19h, no auditório do Sindicato (Rua Evaristo da Veiga, 16/17º, Cinelândia, Rio). A entrada é franca.

Altamir Tojal - Natural do Rio de Janeiro, jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tem especialização em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Foi repórter em O Globo, no Jornal do Brasil e na Revista IstoÉ. É autor do romance “Faz que não vê”, um thriller político, publicado em 2006, pela editora Garamond, e do livro de contos “Oásis azul do Méier”, lançado em 2010 pela editora Calibán. Atualmente, é diretor da SSP Comunicação e editor do site Este mundo possível (www.estemundopossivel.com.br).

Sidney Rezende - Matogrossense do sul, jornalista há 27 anos. Apresenta telejornais da GloboNews e o programa Conta Corrente. É professor da PUC e UCAM, editor chefe do portal www.sidneyrezende.com e diretor da agência SR Ideias. Foi um dos fundadores da rádio CBN e âncora do Jornal do Rio (Rede Bandeirantes) e do Sem Censura (TVE). É autor dos livros “Ideário de Glauber Rocha”, lançado em 1987, pela Philobiblion, da Civilização Brasileira, e “Deve ser Bom ser Você”, publicado em 2002, pela Futura, do Grupo Siciliano.

Contato: Bette Romero
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Tels.: (55.21) 2244.0008/2543.4056/ Cel.: (55.21) 8123.5032
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Antes de los treinta en el poder o muertos

13/10/2011 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

Éramos jóvenes, éramos muchos,
Y habíamos entrado en la vida
Solamente para cambiar el mundo.

La vida pasó, y nada fue como decíamos.
Fue la carcel, fue la tortura,
Fueron los miles de muertos.

Aún asi, cuando nos encontramos,
El recuerdo de la ilusion de muchachos
Llena todavia el corazón,
Que se animó um dia a creer tanto.

Entonces siento que se hubo otro modo posible
Para mi no lo quisiera.

Porque,
Y perdonen por creerlo,
le debo a aquella ilusion la alegria
De haber conocido a algunos de los mejores.

Carlos Liscano
Escritor uruguaio, tupamaro, preso e exilado.

 

Autores, editores e meios alternativos

17/06/2011 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

A relação entre autores e editoras foi tema de reportagem na revista Negócios da Comunicação, na qual tive oportunidade de participar. Assinalei a relevância crescente - e cada vez mais evidente - de sistemas alternativos de produção e distribuição de livros, seja em papel ou nos formatos eletrônicos, que tendem a renovar essa relação. Os portais literários colaborativos e os blogues, além das redes sociais, têm-se mostrado boas formas complementares às publicações pelas editoras tradicionais.

A reportagem “Autor e editor na berlinda” é de Sergio Pereira Couto, que ouviu o escritor Antonio Torres e a editora Maria Amélia Mello, entre outros autores e dirigentes de casas editoriais. Como geralmente uma parte do que se diz não cabe nas matérias jornalísticas, publico aqui dois tópicos da minha entrevista que não foram usados, mas que acho relevantes:

Produção do gosto

“Eu gostaria que fossem publicados mais autores brasileiros. Mas também é muito bom que publiquem bons autores estrangeiros. O que é lamentável, a meu ver, é a preferência quase exclusiva de algumas grandes casas editoriais por um tipo de obra formatada somente para fazer sucesso comercial, dentro de um modelo de produção, distribuição e marketing globalizado. As listas de best sellers são um triste retrato desse modelo de imposição do mercado à sociedade. Não concordo com o argumento de que isso acontece porque é esse tipo de livro que as pessoas querem ler. Na verdade há um poderoso esforço de marketing para produzir o gosto e para forçar a escolha desses livros”.

Liberdade em questão

“A liberdade é o maior valor na criação literária e artística em geral. Embora isso aparentemente não esteja em questão hoje em dia, entendo que é preciso cuidar permanentemente para assegurar a liberdade. Ela pode ser ameaçada tanto pelo autoritarismo do estado e pelos fundamentalismos religiosos como pela submissão ao dinheiro e ao mercado”.

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