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Códigos de Flamínia

11/03/2011 | Comentários (0) | Arte | Por: Altamir Tojal

Flaminia Mantegazza, querida amiga, vem expondo regularmente seus belos mosaicos desde 2003 na Itália, onde vive. Expôs também em Paris e Istambul. Começo aqui uma campanha para que apresente o seu trabalho no Rio de Janeiro, a cidade onde nasceu, que ela ama e que é sua grande fonte de inspiração.

A exposição mais recente de Flaminia – Códigos genéticos – aconteceu agora em fevereiro, no Istituto Portoghese di Sant'Antonio in Roma. Trechos da apresentação assinada pela curadora Ginevra Bria:

“A série de trabalhos segue um período de sete anos de composição, de 2003 a 2010, mostrando a insistência em aspectos e rituais da desmaterialização. Os ‘códigos genéticos’ são concebidos como uma sequência de cromossomos (do grego chroma e soma, como ‘corpo da cor’), levando a informação genética das combinações de cores e personagens a partir do significado hereditário”.

“Observando cada seção se intui como as obras expostas se ligam na passagem do tempo, na transição do objeto de origem para simular algo diferente. Para não perder nem o começo nem o fim da ideia, Flaminia transforma a celulose em suas próprias mãos, tecendo redes que captam a realidade sob a forma de fragmentos, grãos, num mosaico de movimentos, ondas e variações sobre a tela”.

“Em um mundo saturado de signos polivalentes e contínuas mudanças de sentido, a captação do material brasileiro parece ser um modelo estético adequado para conter e, em seguida, para sobreviver na matéria orgânica de vontades”.

Laurie Anderson, uma bela entrevista

03/10/2010 | Comentários (0) | Arte | Por: Altamir Tojal

A entrevista de Laurie Anderson a Bianca Ramoneda, na Globonews (Starte), é um show de inteligência e charme. A expo Eu em Tu (I in U), a primeira individual da artista no Brasil, começa dia 12 no CCBB de SP e estará no Rio em 2011. A entrevista tem um rápido trailer da obra de LA e momentos de reflexão política sobre a naturalização do capitalismo, a suposta falta de alternativas. Destaque para a referência ao livro Capitalist Realism (Mark Fisher) com a constatação de que é mais fácil imaginar o fim do mundo que o fim do capitalismo. Laurie Anderson é uma das pioneiras e craque da expressão multimídia.Laurie Anderson

VIRADA RUSSA, A ARTE NA HORA DA REVOLUÇÃO

17/06/2009 | Comentários (0) | Arte | Por: Altamir Tojal

Além de prazer estético, a exposição Virada Russa nos dá a oportunidade de atualizar o conceito de revolução.

São 123 obras de artistas como Kandinsky, Maliévitch, Chagall, Rodchenko, Tátlin, Goncharova, entre outros, em exibição no CCBB do Rio, de 23 de junho a 23 de agosto. A expo esteve em Brasília e vai também para São Paulo.

Esses artistas mudaram a arte no instante em que a Revolução Russa ainda era revolução.

Como explica o professor Pedro Duarte de Andrade no inspirado artigo Política e Arte na Rússia da Revolução (Prosa e Verso, O Globo, 20/10/2007), após a Revolução de 1917, a Rússia assistiu ao casamento feliz entre política e arte. Mas logo veio o divórcio.

Artigo Arte na Rússia da Revolução.pdf


A vitalidade artística sucumbiu pouco tempo depois do breve lampejo da revolução, do acontecimento revolucionário. Mas ficaram as obras - a arte - e toda a sua força.

Quando os criadores destas obras passaram a ser perseguidos, presos e assassinados já não havia revolução. Havia burocracia e totalitalitarismo. E surgia o simulacro do realismo socialista.

A exposição, portanto, traz para hoje o instante revolucionário. É uma oportunidade de respirar esse ar.

Nas suas tantas críticas perturbadoras e profecias inquietantes, o Zaratustra de Nietzsche talvez tenha compreendido também o destino trágico das revoluções de trazerem o novo e também a sua negação:

"O que quer que eu crie e de que modo quer que o ame - breve terei de ser seu adversário, bem como o do meu amor: assim quer a minha vontade".

E Deleuze acrescentou bem mais tarde:

"Dizem que as revoluções têm um mau futuro. Mas não param de misturar duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. Nem sequer são as mesmas pessoas nos dois casos".

Entendida, portanto, dessa forma, a idéia de revolução ultrapassa e atropela o sentido de tarefa. Não dá para dizer: "Pronto! Fizemos a revolução. Dever cumprido!". Revolução feita, é hora de fazer outra.

Mais, além e, mesmo, contra a tarefa feita, revolução é devir.

PS: REVOLUÇÃO - Embora ecoe nostálgica e debilitada, a palavra 'revolução' recupera, de tempos em tempos, parte de sua reputação de perigo e volta a impor certo respeito, mesmo depois de longos períodos de apropriação pela ideologia e pelo marketing, despojada de seu sentido estrito, de destruição e substituição de um regime político. Revoluções propriamente ditas, como define Abbagnano no Dicionário de Filosofia (ABBAGNANO, 2000: 858-859), foram a inglesa, a americana, a francesa e a russa. Ainda se fala - e muito - em revolução no sentido largo, quando se quer atribuir importância a uma mudança, seja na política, na economia, na arte, na ciência ou no futebol. Mas há também quem queira evitar a palavra ou mesmo bani-la, como ocorreu em 2004, na comemoração dos 30 anos da 'Revolução dos Cravos' em Portugal. O slogan do governo para celebrar a data, 'Abril é Evolução' provocou protestos da oposição socialista. Em todo o país, nos dias que antecederam o 25 de Abril, mãos anônimas acrescentaram o 'R' à palavra 'Evolução' nas peças da propaganda oficial. Mesmo não se tratando de uma revolução no sentido estrito, a elipse do 'R' não ocorreu, seguramente, por rigor técnico nem por respeito ao sentido político da palavra. É possível que mentes perspicazes e intuitivas, de dentro do próprio sistema dominante, tenham percebido algum revigoramento no sentido da palavra.

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O Marujo - Vladimir Tatlin


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