Altamir Tojal

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Oásis azul do Méier reúne oito histórias com diversidade de temas, ritmos, vozes e construções narrativas. Em comum, o encontro do insólito com o trivial.



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NÃO CHORE PELA MORTE DO PT E DO PSDB

18/01/2018 | Comentários (0) | Política | Por: Altamir Tojal

Pior seria se estivessem vivos. O campo democrático tem a oportunidade e o desafio de inventar outra coisa. Talvez nem tenha de ser outro partido.

Felizmente para os brasileiros, o PT e o PSDB acabaram. Podem até ganhar eleições porque isso não depende no Brasil de projetos, programas nem de idoneidade dos políticos. Mas são partidos que não existem mais, não têm mais qualquer ligação com o que os constituiu. Podem até mesmo ganhar as eleições de 2018 mas não creio que possam ser refundados.

Creio que não devemos lamentar esse fim. Seria pior se estivessem vivos e fortes. O campo democrático vai ter de inventar outra coisa. Tem a oportunidade e o desafio de inventar outra coisa melhor. Talvez nem tenha de ser outro partido.

Oposição de mentirinha

Deixei o PSDB no começo de 2017, depois de 15 anos de filiação. Não poderia continuar num partido da base do governo Temer, sendo para o PMDB o que este foi para o PT. A meu ver, Aécio e outros importantes dirigentes do PSDB foram cúmplices dos governos do PT e cometeram os mesmos crimes. Isso ficou evidente com as revelações dos donos da JBS e já tinha sido denunciado nas delações da Odebrecht e outras tais.

O partido fez corpo mole, se omitiu, fez oposição de mentirinha ao PT. Portanto, traiu os seus próprios quadros, traiu milhões de eleitores, milhões de cidadãos que depositaram esperanças no partido como alternativa democrática aos governos do PT.

Por trás da cortina de bandeiras vermelhas

O PT no poder foi governado pela oligarquia mais atrasada do país e pelo que existe de pior no capitalismo brasileiro. Por trás da cortina de bandeiras vermelhas obedeceu a empreiteiros malandros, banqueiros espertos e aos coronéis de sempre, que controlam grandes currais eleitorais.

Lula, Dilma e associados transformaram a corrupção em política pública e em máquina de reprodução do velho poder. Manipularam a vontade do voto para que a esperança de mudança levasse à consagração do mesmo. Docilizaram e calaram sindicatos e movimentos sociais.

O falecimento dos dois partidos não nos livra deles

A traição do PSDB foi tão grave quanto à do PT. Traiu a crítica, traiu a sociedade. Só não traiu os supostos adversários que tiveram vida fácil e fizeram o que queriam com a sua cumplicidade, com a falsa oposição. O PT desmoralizou a esquerda e o PSDB desmoralizou a política. Jogou a pá de cal na democracia brasileira.

O falecimento dos dois partidos não nos livra deles, porque os seus fantasmas continuam a nos assombrar, nos lembrando toda hora que não devemos chorar por eles e sim acabar de exorcizá-los.

Os bandidos estão no mesmo barco e os democratas sem direção

Dirigentes e líderes do PT e do PSDB mostram que são capazes de tudo para impedir investigações de seus crimes, escapar de processos e fugir de condenações. Os que têm mandatos e privilégio de foro sabem que podem ser deletados da vida política e ir para prisão quando deixarem o poder. A mesma coisa vale para o presidente da República, seus ministros e dirigentes do PMDB e partidos aliados. Todos os bandidos estão no mesmo barco. E os democratas estão nadando contra a corrente e sem direção.

Suspeito que a Lava Jato e mesmo a legitimidade das eleições deste ano estão ameaçadas por essas quadrilhas. As tarefas do campo democrático são portanto difíceis e imensas: defender as investigações e as instituições republicanas que ainda funcionam, tentar aglutinar forças e identificar candidatos para a eleição presidencial e para as majoritárias nos estados. Tudo isso tendo de enfrentar o desespero dos que estão no poder e a descrença na política fomentada pelos bandidos e pelos extremistas que se aproveitam da confusão.

Não existe ponto final na política

Confesso que já fui mais otimista. Mais uma vez os democratas têm de empurrar a grande pedra da política montanha acima. Não tenho dúvidas de que é este trabalho sem fim que constrói e sustenta a democracia. Não existe ponto final na política e a caminhada tem de ser feita com esperança e alegria. Mas me pergunto se ainda podemos apostar que a democracia vai renascer no Brasil, ou enfim nascer.

HORA DE DOBRAR A APOSTA NA POLÍTICA

04/06/2017 | Comentários (0) | Política | Por: Altamir Tojal

A sobrevida do governo Temer é campo fértil para a aventura populista

Comentei outro dia numa conversa que democracia e certeza são coisas que não combinam. E lembrei na mesma hora de Hannah Arendt tratando do caráter imprevisível da política e de sua dimensão para além dos negócios de governo.

Antipetista, meu interlocutor admitia que Temer vai mesmo cair. Mas preferia que ele ficasse até a definição de um democrata para substituí-lo, alguém que trouxesse a certeza de que o país não será entregue a um populista de esquerda ou direita. Entre os seus temores, o de o brasileiro ter de optar entre Lula e Bolsonaro na próxima eleição.

AVANÇO DO POPULISMO

Penso exatamente o contrário. É claro que esse dilema pode se impor em diferentes cenários, seja com eleições antecipadas ou não. Mas creio que ele será mais provável na medida em que o governo Temer demorar a cair.

Cada dia a mais com Temer no poder mais conturbadas deverão ser as eleições de 2018 e maior será o avanço eleitoral dos populismos de esquerda e direita, aniquilando as chances de alternativas democráticas.

Quanto mais tempo durar a blindagem de Aécio Neves, flagrado pedindo propina à JBS e armando contra a Lava Jato, maior é a ameaça de jogar por terra o trabalho da Força Tarefa para processar Lula como chefe da organização criminosa petista.

O sucesso — felizmente cada vez mais improvável — da articulação para salvar Temer e Aécio também é ruim, a meu ver, para a retomada do crescimento sustentável da economia, para as reformas e para a continuidade do combate à corrupção e à impunidade. O cenário de um governo desmoralizado, de mais recessão e mais impunidade vai gerar mais perdedores, mais ressentidos e mais revoltados contra a política. Campo mais fértil, portanto, para a aventura populista.

SOCORRO A TEMER E AÉCIO

Registre-se que as táticas de socorro a Temer e Aécio são as mesmas usadas pelo PT para socorrer Lula, Dilma e seus “heróis do povo”: acusações de golpismo e de abusos de juízes, do ministério público e da mídia, sem falar nos argumentos sórdidos de que a corrupção sempre existiu por aqui e de que o brasileiro só não é corrupto quando não consegue ser.

Desde o impedimento de Dilma, considero errada a aposta no governo Temer. Ele teria de ser presidente, é claro, por imposição constitucional. Mas era evidente que o vice de Dilma e a quadrilha do PMDB não resistiriam dois anos e meio e, portanto, não poderiam ser a ponte para 2018.

Naquela ocasião existiam caminhos democráticos e constitucionais para encurtar o mandato de Temer, que foram ignorados intencionalmente pelo comando das forças políticas que assumiram o poder.

Um deles seria o TSE cumprir o dever de julgar a cassação da chapa Dilma-Temer e o Congresso aprovar a emenda do deputado Miro Teixeira de eleições diretas para um novo presidente legitimado pelo voto popular para levar o país até 2018. O julgamento foi empurrado com a barriga para que Temer nomeasse novos membros do tribunal que iria julgá-lo. E a proposta de Miro foi desconsiderada.

Houve, portanto, condições para um pacto político legítimo. Mas optaram pelo pacto contra a Lava Jato.

DESTINO TRÁGICO DO PSDB

Pode ter sido avaliação equivocada de alguns e foi seguramente irresponsabilidade e oportunismo de outros tantos embarcar na canoa furada com os bandidos que ajudaram a eleger e deram sustentação aos governos do PT. Por isso me desfiliei do PSDB, que se tornou no governo Temer o que o PMDB foi nos governos do PT.

O destino trágico do PSDB, que fez oposição nos 13 anos de governo petista e agora se vê desmoronar como alternativa democrática de poder também evoca Hannah Arendt com suas reflexões sobre a irreversibilidade da ação política.

Lula e o PT traíram a confiança da militância, dos eleitores e desmoralizaram a política para milhões de brasileiros. Aécio e o PSDB seguiram caminhos que levam ao mesmo lugar. Desembarcar agora do barco afundado de Temer é o que tem de ser feito, mas não vai consertar os erros cometidos.

Mesmo nos piores momentos procuro ser moderadamente otimista. Acho que o Brasil vai se livrar de muitos falsos líderes e de algumas quadrilhas da política com a continuação da Lava Jato. Tem muita gente fazendo a coisa certa na Polícia Federal, no MP, na justiça e na imprensa. Muitos crimes foram descobertos, alguns bandidos estão presos e alguns bilhões estão sendo resgatados. A sociedade está machucada mas também está mais atenta. Não vai ser fácil parar este processo virtuoso.

DIÁLOGO HONESTO E RESPEITO À DIFERENÇA

Por mais espertas que sejam as narrativas do PT e por mais bem articuladas que sejam as manobras do PMDB e do PSDB, as máscaras vão caindo a cada dia. Qual a diferença de Gilmar Mendes para Lewandowski e de Alexandre de Moraes para Toffoli? Os sofismas dos advogados e assessores de Temer e Aécio são idênticos aos do Cardozão e do Instituto Lula.

Então, o que fazer? A velha pergunta de Lenin é uma espécie de eterno retorno na política. Em primeiro lugar, entendo que é preciso respeitar a Constituição e defender as instituições democráticas. Depois, não acreditar em salvador da pátria e se convencer que melhores escolhas políticas surgem do diálogo honesto e do respeito à diferença. Isso vale para construir um pacto político legítimo, como fizeram outras sociedades em momentos de crise, e é condição necessária para a multidão ir para a rua novamente se as instituições não fizerem o que lhes cabe.

Recorro outra vez a Hannah Arendt, “pensadora da crise e de um novo início”, nas palavras do professor Eduardo Jardim. Acho que, para os amigos da democracia, é hora de dobrar a aposta na política como campo de convivência entre diferentes e também como oportunidade de recomeço.

 

TEXTOS


Notas sobre o fim do mensalão

26/11/2013 | Comentários (0) | Por: Altamir Tojal

“Que abandonem a realidade é problema deles. O nosso é testemunhar o desfecho de uma aventura histórica, amparada no conceito de que os fins justificam os meios. Reconhecer isso é deixar a casca de uma esquerda autoritária e aceitar amplamente a democracia, sem se sentir dotado de uma causa superior a ela e, portanto, podendo atropelá-la”, do artigo do jornalista Fernando Gabeira, publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 22 de novembro de 2013. Este texto, lúcido e sereno, tem pelo menos quatro parágrafos memoráveis sobre este momento político do Brasil.

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